Associação de Divulgação da Doutrina Espírita

São José do Rio Preto - SP

Estudo Semanal de O Livro dos Espíritos - 13/11/2018

Adauto Alves de Lima/ ADDE - terça-feira, 13 de novembro de 2018
CAPÍTULO VII -  DA VOLTA DO ESPÍRITO À VIDA CORPORAL
 
Esquecimento do passado
 
396. Algumas pessoas julgam ter vaga recordação de um passado desconhecido, que se lhes apresenta como a imagem fugitiva de um sonho, que em vão se tenta reter. Não há nisso simples ilusão?
 
“Algumas vezes, é uma impressão real; mas também, freqüentemente, não passa de o, contra a qual precisa o homem por-se em guarda, porquanto pode ser efeito de superexcitada imaginação.”
 
COMENTÁRIO DO ESPÍRITO MIRAMEZ NA OBRA “FILOSOFIA ESPÍRITA
 
Há pessoas muito criativas e que podem, com os pensamentos, buscar a irrealidade em muitas direções do saber, apresentando a ficção como real. A realidade, no entanto, foge de ambientes previamente preparados, visando ao engano. Não obstante, existem muitas recordações em que a intuição aparece como em um sonho, dentro da leveza da sua própria vida, a trazer a verdade ao Espírito, que sempre silencia, por ser um segredo que somente a ele pertence, naquela fase.
As revelações espirituais são sutis, penetrando na alma com naturalidade. Por enquanto, as grandes mediunidades se manifestam mais em pessoas “incultas”, para que não desafiem as faculdades medianímicas com a sua própria intelectualidade.
Há muitas criaturas que criam histórias, casos referentes a si mesmas e, quase sempre, dizem que foram grandes personagens da história, e sentem-se bem em viver dentro da sua criação, mesmo sabendo que não é a verdade. Com o tempo, ela deixa de acreditar nela mesma, desconfiando de suas “descobertas”. Isso é muito sério, principalmente para os espiritualistas conhecedores de algumas leis espirituais. Convém a todos os Espíritos silenciar sobre esse assunto de lembranças de vidas passadas. Basta saber que a reencarnação é um fato, fazendo os devidos reparos para novas investidas na carne, sem querer inquirir quem foi, mas preocupando-se com o que será.
A Doutrina dos Espíritos nos traz a cada dia uma nova feição das realidades, no sentido de que a criatura se eduque cada vez mais e se instrua todos os dias sobre a verdade. Geralmente, quando ficamos sabendo que fomos grande personagem no passado, nós o anunciamos com orgulho; se nos é revelado que fomos um assassino, um marginal, um pária, nós nos silenciamos por completo. Não nos interessa que os outros saibam dessa época em que nos colocamos à margem dos ensinamentos de Jesus.
Mesmo que venham a nós as recordações do passado, mesmo que venham na sutileza da consciência, mesmo que nos seja revelado por fontes seguras, o melhor procedimento é o silêncio e o trabalho para o melhoramento das nossas qualidades espirituais, porque somente reparando as arestas do passado e os nossos impulsos inferiores, ascenderemos para a Luz de Deus.
As recordações mentirosas podem aparecer na nossa mente, às vezes por ação dos nossos inimigos espirituais. Eles brincam com os nossos sentimentos, por estarmos na sua faixa de vibrações. Se aceitamos a mentira, é porque ela existe dentro de nós, vestida por roupagens que às vezes desconhecemos. Ao recordarmos alguma coisa do passado, analisemos o que estamos recordando, pondo à prova no laboratório íntimo, deixando fermentar por muito tempo; depois, esqueçamos e trabalhemos no bem comum. Vejamos, então, durante nossos esforços na caridade, se surge algum dos pensamentos contrários à luz.
O bem que pretendemos fazer ou que estamos fazendo, não deve ser anunciado; o melhor anúncio é a sua prática. A caridade não precisa de ser mostrada. Ela é a luz, e mesmo que se queira escondê-la, a própria natureza a colocará em cima da mesa, para que todos a vejam. Se for exposta pelas nossas mãos, ela desvaloriza sua grandeza espiritual. Tenhamos muito cuidado com as vagas e próprias recordações sobre as nossas vidas passadas, principalmente quando se refere a grandes personagens. O melhor mesmo é acender a luz na intimidade do coração, pelos fios da caridade e a chama do amor.

Lima, Adauto Alves de

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