Associação de Divulgação da Doutrina Espírita

São José do Rio Preto - SP

Cap. XII – AMAI OS VOSSOS INIMIGOS - Instr. Espíritos: III O DUELO - itens 11 a 16 - 12/11/2018

HORA DO EVANGELHO NO LAR - segunda-feira, 12 de novembro de 2018

HORA DO EVANGELHO NO LAR

“Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.” (MT 6:21).

 

PRECE

Queridos irmãos, que a Paz de Jesus envolva a todos. Vamos orar:

Neste momento, elevamos nossos pensamentos ao alto, asserenando nossos corações, tranquilizando nossas mentes e agradecendo a Jesus por nos dar a oportunidade do estudo edificante. Que a lição de hoje possa nos trazer o consolo e o fortalecimento para nossas fragilidades; que possamos compreendê-la e aplicá-la em nossas vidas.

Permita Mestre Jesus que nossos benfeitores espirituais estejam ao nosso lado amparando-nos, protegendo-nos e auxiliando-nos o entendimento.

E assim, em Teu Nome e em nome dos benfeitores responsáveis por esta tarefa de amor iniciamos as nossas reflexões.

Permaneça conosco Mestre Amado e que assim seja.

 

 

MENSAGEM INICIAL

CONFLITO


Antigamente, o duelo surgia por hábito deplorável, desfigurando o caráter e enodoando a cultura. 

Empenhavam-se antagonista, com a presença de testemunhas, em golpes violentos, legalizando o homicídio em nome da honra. 

O progresso aboliu semelhante nódoa de nossa face, todavia, o conflito continua em outras modalidades, a dentro de nossa vida. 

Não mais a característica fulminante, dos apetrechos de matar ou ferir, mas o golpe em câmara lenta que o ódio e a incompreensão, a ignorância e a crueldade arremessam por onde passam, gerando perturbações e enfermidade. 

Por toda parte, vemos o duelo mental torturando e aniquilando criaturas, mantido por nossas atitudes delituosas de uns para com os outros, quando não se exprime, sem forma perceptível aos sentidos comuns, à feição da troca de dardos invisíveis, penetrando corações, arrojando-os, muitas vezes, aos tormentos do hospício ou à vala da morte. 

Fujamos de toda ideia que signifique discórdia e maledicência, ciúme e desespero, maldade e intolerância, porquanto, as imagens desse teor, a fluírem constantes de nossa fonte mental, possuem vitalidade própria, corporificando-se com a persistência de nossas irreflexões repetidas e atingindo o objetivo de nossas projeções, a operarem desajuste e flagelação regressando a nós mesmos, em lamentável retorno, trazendo-nos de volta, a aflição e o infortúnio que tivermos causado.

O amor é Lei Universal, mas a Justiça nos segue, serena e inexorável, para que todos nós tenhamos no caminho o justo pagamento de nossas próprias obras. 

Emmanuel - Psicografia de Chico Xavier. Do livro: Viajor

 

 

LEITURA DO EVANGELHO

CAPÍTULO XII – AMAI OS VOSSOS INIMIGOS

INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS: III – O DUELO – itens 11 a 16

 

AGOSTINHO - Bordeaux, 1861

15 – O homem do mundo, o homem feliz, que, por uma palavra ofensiva, um motivo fútil, joga a vida que Deus lhe deu e joga a vida do seu semelhante, que só pertence a Deus, esse é cem vezes mais culpado que o miserável que, levado pela cobiça, e às vezes pela necessidade, introduz-se numa casa para roubar e mata o que tenta impedi-lo. Porque este é quase sempre um homem sem educação, com imperfeitas noções do bem e do mal, enquanto o duelista pertence geralmente à classe mais esclarecida. Um, mata brutalmente, o outro, com método e cortesia, o que faz a sociedade desculpá-lo. Acrescento mesmo que o duelista é infinitamente mais culpado que o infeliz que, cedendo a um sentimento de vingança, mata num momento de desespero.

O duelista não tem por desculpa o arrastamento da paixão, porque entre o insulto e a reparação sempre a tempo de refletir. Ele age, pois, fria e premeditadamente. Tudo é calculado e estudado, para matar com segurança o seu adversário. É verdade que expõe também a sua vida, e é isso o que justifica o duelo aos olhos do mundo, que o considera como ato de coragem e desapego à vida. Mas haverá realmente coragem, quando se está seguro de si mesmo? O duelo, resto dos tempos de barbárie, quando a lei era o direito do mais forte, desaparecerá com uma apreciação mais sã do verdadeiro problema da honra, à medida que o homem adquirir uma fé mais ardente na vida futura.                                                         

16 – NOTA –  Os duelos se tornam cada vez mais raros, e se ainda vemos, de tempos a tempos, dolorosos exemplos, o seu número não pode ser comparado ao de outrora. Um homem não saía de casa, antigamente, sem prever um encontro, tomando sempre as precauções necessárias. Um sinal característico dos costumes do tempo e dos povos era o uso do porte habitual, ostensivo ou disfarçado, de armas ofensivas e defensivas. A abolição desse uso revela o abrandamento dos costumes, e é curioso seguir-se a sua graduação, desde a época em que os cavaleiros só saíam com armaduras de ferro e  lança em punho, até o simples uso da espada, que depois se tornou mais num ornamento, num acessório de uniforme, do que arma agressiva. Outro sinal do abrandamento dos costumes é que, antigamente, os combates pessoais se davam em plena rua, diante da turba, que se afastava para deixar livre o campo, e hoje se ocultam. A morte de um homem é hoje um acontecimento que provoca comoção: antigamente, não se lhe dava atenção. O Espiritismo extinguirá esses derradeiros vestígios da barbárie, ao inculcar nos homens o senso da caridade e da fraternidade.

 

REFLEXÕES: O duelo, com regras, legalizado por leis, desapareceu, mas o duelo, como luta para resolver pendências entre ofendido e ofensor, continua existindo em até as sociedades tidas como as mais instruídas ou mais civilizadas. Por isso as mensagens sobre o duelo, inseridas por Kardec neste livro, que estudamos, continuam muito atuais e necessárias para auxiliar o homem a desenvolver o amor dentro de si, eliminando o mal que ele criou. A primeira, no item 11, é de Adolfo, bispo de Alger, que a inicia assim: “Só é verdadeiramente grande aquele que, considerando a vida como uma viagem que tem um destino certo, não se incomoda com as asperezas do caminho, não se deixa desviar nem por um instante da rota certa. De olhos fixos no seu objetivo, pouco se importa de que os obstáculos e os espinhos da senda o ameacem; estes apenas o roçam, sem o ferirem, e não o impedem de avançar”. O duelo contraria a lei do perdão ao ofensor, impede a clemência necessária à reabilitação do criminoso, tornando o ofendido em criminoso pior, porque age com mais violência, retirando a vida, que se tem, que se ganha, sem colaboração nossa, mas por vontade de Deus.

A segunda mensagem sobre o duelo, assinada por Santo Agostinho, no item 12, cita os ensinos de Jesus, mandando oferecer a face esquerda a quem lhe fere a direita, e as palavras dirigidas a Pedro: “Embainha de novo a tua espada, pois aquele que mata pela espada perecerá pela espada”, (Mateus, 26:52), concluindo que, com essas palavras estaria Jesus condenando para sempre o duelo, seja de que forma se apresente.  No item 13 - Um Espírito Protetor escreve sobre o duelo, em 1861, como sendo uma das instituições bárbaras que ainda regem a sociedade, sendo uma continuação do que outrora, na Idade Média, se chamava Juízo de Deus. O autor, considerando o tempo e a evolução intelectual e moral do homem, argumenta que a continuidade do duelo, não mais como Juízo de Deus, é mais cruel, visto que se entrega somente à força bruta, onde vence o mais forte, fisicamente, ou o mais hábil. No item 14 – Francisco Xavier nos diz que: “Quando a caridade for à regra de conduta dos homens, eles conformarão os seus atos e as suas palavras a esta máxima: Não façais aos outros o que não quereis que os outros vos façam. Então, sim, desaparecerão todas as causas de discórdias, e com elas, as causas dos duelos e das guerras, que são duelos entre povos.”  No item 15 – Santo Agostinho declara que “O duelo, resto dos tempos de barbárie, quando a lei era o direito do mais forte, desaparecerá à medida que o homem adquirir uma fé mais ardente na vida futura.” Allan Kardec escreveu no item 16, que no seu tempo, os duelos, já estavam se tornando mais raros. Conclui com a frase “O Espiritismo extinguirá esses derradeiros vestígios da barbárie, ao inculcar nos homens o senso da caridade e da fraternidade.” Ao espírita, muito será pedido, pelo muito que ele recebe, pela fé raciocinada que lhe mostra, sem dúvidas, além de tudo isso, a necessidade do perdão e do amor ao próximo. Esse conhecimento, essa fé, levando-o a uma progressão moral, lhe dá também a responsabilidade de agir segundo ela, não podendo mais alegar ignorância das leis divinas. Ao lermos sobre o duelo podemos pensar que é um tema desatualizado, mas muito pelo contrário. É um tema muito atual. Talvez, não na forma de agressões físicas que o conhecíamos, mas por meio de insultos e violências mentais. Chico dizia que “Poucos de nós se dão conta da atmosfera psíquica em que mergulhamos ao estabelecer diálogos imaginários ou ao criar tribunais mentais acerca dos fatos do cotidiano e das notícias dos jornais. O mesmo ocorre com as murmurações, que nos enclausuram em um diálogo conosco mesmos, aprisionando a nossa vontade e a nossa força criadora.” Na atualidade, o duelo, infelizmente, não tem se restringido ao campo mental das criaturas (o que por si só, já é danoso), mas têm se disseminado nas redes sociais, por meio de comentários virulentos. Evitemos as armadilhas dos duelos modernos. Lembremo-nos de guardar a nossa sanidade mental, preservando o ambiente que criamos para nós mesmos, aprendendo a valorizar os momentos que passamos diante da nossa consciência para a produção de um clima que nos fortaleça e estimule. Utilizemos melhor as nossas horas conosco mesmo, alimentando o nosso espírito com imagens e situações agradáveis.

 

PRECE E VIBRAÇÕES –

"Coloca o teu recipiente de água cristalina à frente de tuas orações e espera e confia." [Emmanuel / Chico Xavier]

Senhor Jesus, fazei-nos perceber que o trabalho do bem nos aguarda em toda parte.
Lembrai-nos, por misericórdia, que estamos no caminho da evolução com os nossos semelhantes, não para consertá-los e sim para atender à nossa própria melhoria.
Que possamos sempre respeitar os direitos alheios a fim de que os nossos também sejam preservados.
Dai-nos consciência do lugar que nos compete, para que não fiquemos exigindo da vida aquilo que não nos  pertence.
Apaga em nós  os melindres pessoais, de modo que não nos transformemos em estorvo diante dos irmãos.
Auxilia-nos a reconhecermos que cansaço e dificuldades não podem converter-nos em pessoas intratáveis, mas mostrai-nos, por piedade, o quanto podemos fazer nas boas obras, usando paciência e coragem, acima de quaisquer provações que nos atinjam a existência.

Concede-nos forças para irradiarmos a paz e o amor que nos ensinaste, onde quer que nos encontremos e a todos que necessitam.
E assim, rogamos Senhor, por todos os irmãos que estão passando por dores e sofrimentos,  que possam sentir o alívio, a esperança e a calma através da Tua Luz.

Rogamos Senhor, a Tua permissão para que nossas águas sejam fluidificadas e que nelas sejam depositados os medicamentos necessários para nosso equilíbrio físico, espiritual e mental.
Perdoa-nos Senhor por nossas fragilidades e sustenta-nos a fé para que possamos estar sempre em ti, na certeza de que estás sempre conosco.
E assim, envolvidos pelas Vibrações de Paz deste momento, finalizamos nossos estudos agradecidos por todas as bênçãos recebidas.

Permaneça conosco Senhor,

Que assim seja.

 

Paz e Bem!

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