Associação de Divulgação da Doutrina Espírita

São José do Rio Preto - SP

Para o Espiritismo, quem foi Cristo? Divaldo Franco?

Paulo Dantas - sexta-feira, 1 de abril de 2016
Para o Espiritismo, quem foi Cristo?
 
Divaldo Franco: Jesus Cristo é o ser mais sublime que Deus ofereceu à criatura humana para lhe servir de modelo e guia. Jesus é o ser humano, enquanto que o Cristo é o pensamento cósmico. Jesus é o ser incomparável que todos nós amamos, mas que não é Deus. Para nós, é filho de Deus, como todos o somos.
 
É verdade também que o Espiritismo entende que Jesus é o médium e Cristo seria o seu guia?
 
Divaldo Franco: Não. Jesus é o médium de Deus. O Cristo não é um ser, é um arquétipo transcendental, não é um indivíduo personificado. Quando o apóstolo Paulo diz: é Cristo que vive em mim, ele fala do psiquismo divino que nele se encontrava.
 
A Nova Era diz que Cristo já voltou. O Espiritismo entende desta forma?
 
Divaldo Franco: Nós acreditamos que a promessa do Consolador, que está em João 14;16 foi personificada pela volta dos Espíritos a partir dessa avalanche de mensagens que constituem hoje o Espiritismo. A volta do Cristo não é o retorno de Jesus corporificado. Trata-se do seu pensamento que volta mediante as lições do bem, da solidariedade, construindo um mundo melhor. Desse modo, acredito sim, que o Cristo já voltou.
 
Os espíritas afirmam que a Terra está deixando de ser um planeta de provas e expiações para tornar-se um planeta de regeneração. Já existem sinais que comprovam essa transição? Quais seriam?
 
Divaldo Franco: Os sinais básicos são de natureza geológica e sempre existiram: tsunamis, erupções vulcânicas, terremotos, maremotos... Também sociológicos, como as guerras, o terrorismo, a violência urbana, o despautério e o desrespeito de todo porte. Os éticos e morais são a desagregação do núcleo familiar, as drogas, o alcoolismo, o sexo desarvorado, como síndromes de uma era que termina, dando lugar a outra que se inicia. O indivíduo enfrentará a dor de tal maneira que ficará saturado de tanta aberração e voltará a ter saudade do que era uma vida perfeitamente moldada dentro dos princípios recomendados pelo Evangelho. Buscará, então, sem fechar-se num puritanismo exacerbado, construir uma nova sociedade na base do bem e a esperança tomar conta do mundo...
 
Como seria essa regeneração?
 
Divaldo Franco: Trata-se de um processo lento. Essa regeneração se cumprirá quando os rebeldes forem exilados para planetas inferiores, como é natural. Está na Bíblia, de uma forma mitológica, figurativa, esse evento. Recordamo-nos de Lúcifer que, ao rebelar-se contra Deus foi expulso para o Hades, para fora da dimensão em que estava. Nós consideramos Lúcifer, não como uma individualidade, mas como a personificação do mal. Tudo aquilo que seja perturbador e desgastante é o mal, é lucífero. Isso ocorrerá, a fim de que os bons não fiquem sempre sob a injunção dos maus. Acreditamos que eles irão exilados para um planeta inferior, onde realizarão seu progresso e voltarão mais tarde ao mundo que era o seu berço natal.
 
Chico Xavier teria falado que surgiria um planeta/cometa que levaria as almas despreparadas para a evolução. Como vai se dar isso?
 
Divaldo Franco: De verdade a tese não é do Chico. No ano de 1956 foi publicado um livro chamado A vida no planeta Marte, ditado pelo Espírito Ramatis através do médium Hercílio Maes. O médium, graças ao seu mentor, disse que um planeta inferior passaria próximo da Terra e arrastaria essas almas infelizes. Essa proposta ainda não pôde ser confirmada. Primeiro, porque isso seria totalmente inviável, senão impossível. E depois, porque é a opinião de um Espírito apenas. Para nós, os espíritas, somente tem valor uma informação doutrinária quando ela tem caráter universal, quando vários médiuns que não se conhecem, e se encontram em lugares diferentes registram a mesma informação. Então, Chico Xavier, que é o continuador perfeito da obra de Allan Kardec, assevera, como todos nós, que seremos transferidos, isso sim, para um planeta inferior. Não será o planeta que virá até nós. Nós é que iremos a ele.
 
O senhor falou que existem sinais da degradação. Existem os outros sinais também?
 
Divaldo Franco: Sem dúvida. Os sinais da moralização também estão evidentes. Nunca houve tanto amor na Terra como hoje. Nunca tantas vidas foram dedicadas à prática do bem como na atualidade. O avanço da ciência, da tecnologia, as conquistas morais, a abnegação... Observamos a presença das enfermidades dilaceradoras e o esforço hercúleo dos notáveis pesquisadores. Quando analisamos a AIDS, que é uma pandemia que ameaça a população terrestre - existem quarenta e dois milhões de infectados, portanto, soropositivos pelo vírus do HIV-  encontramos também milhares de infectologistas e outros cientistas que estão correndo risco de contaminação, trabalhando para produzir uma vacina e a terapêutica mais eficiente para salvar as vidas, com mais eficiência do que hoje ocorre com o coquetel.
 
Como será essa nova Terra?
 
Divaldo Franco: Será como hoje é a Terra, porém melhorada, apresentando condições sociais melhores onde a justiça será uma realidade; sem a miséria socioeconômica, sem a devastação produzida pelas enfermidades degenerativas, sem os ódios, terrorismos e guerras. Será um mundo de paz. Não é um mundo utópico de ociosidade, mas onde os sentimentos negativos não prevalecerão.
 
Como está o Espiritismo no mundo neste momento?
 
Dialdo Franco: Muito bem, principalmente nos países da Europa o Espiritismo vem encontrando uma ressonância muito grande, desde que foi fundado o CEI (Conselho Espírita Internacional) com adesão de mais de trinta países, tanto americanos, asiáticos, como da Oceania e principalmente da Europa. O movimento espírita na América do Sul vai muito bem. Na América do Norte deslanchando, mas na Europa o salto é expressivo.
 
Bezerra de Menezes está sendo o novo coordenador do Espiritismo no Brasil?
 
Divaldo Franco: Bezerra de Menezes é uma entidade veneranda, como outras milhares existentes. O que os católicos chamam de santos, denominamos como guias espirituais. O Dr. Bezerra, pela vida que teve de alta moralidade, tornou-se um Espírito venerando e respeitado, por quem temos um apreço e carinho elevados, mas que não é o guia do movimento espírita. O movimento é coordenado por Jesus.
 
Chico Xavier disse que voltaria a se comunicar e daria sinais desse retorno. Isso já aconteceu?
 
Divaldo Franco: Surgiu a notícia de que ele teria deixado um código para poder fazer-se constatação quando viesse dar alguma comunicação, mas a informação é falsa, porque ele nunca recebeu código de ninguém para poder provar que era médium. Quanto a ele ter dado comunicações, sim, acredito que algumas que chegaram ao meu conhecimento são autênticas, através de médiuns respeitáveis.
 
Ele tem deixado alguma mensagem?
 
Divaldo Franco:  Muitas mensagens. Todas elas de caráter consolador dentro da pauta da doutrina espírita.
 
Paulo Dantas.
Fonte: Tribuna Espírita, maio/junho 2009.
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