Associação de Divulgação da Doutrina Espírita

São José do Rio Preto - SP

Famílias: quando os laços se transformam em grilhões

Marcos Paterra - João Pessõa -PB - segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Famílias: quando os laços se transformam em grilhões[i]

Marcos Paterra

Hoje as famílias são constituídas de forma diferente das do século passado, sendo que sua formação é composta dos mais diversificados laços de afetividade, mesmo a que chamamos de “Família Nuclear”[1], que nada tem a ver com a bomba , esta com sua estrutura   modificada.

Relações sobre novos contextos, vivenciando um cultura mais liberal a qual a sociedade tem mais tolerância a muitas formas de amar e conviver com o “outro”, sobre essa perspectiva, vemos famílias, de casais homossexuais, de  apenas a presença materna e/ou paterna, casais que  se uniram após uma separação(recasamento) formando uma nova família, e  nesse caso muitas vezes os pares trazem vínculos parentais como filhos  para um novo enlace.

Nos dias de hoje as complexas famílias tentam se adaptar em um mundo preconceituoso e que vivencia experiências de modelagem aos novos conceitos sociais.

Hoje não muito diferente do ontem, ainda sofrem os elementos mais importantes das famílias... os filhos!

Sobre esse prisma pode-se exemplificar o divorcio onde a criança além de ter de se adaptar á ruptura conjugal dos pais, tem de se desligar dos sentimentos de perda, retomar a sua vida aceitando a “permanência do divorcio”, muitas vezes veem seus pais se casando novamente provocando novo choque e em alguns casos tende a piorar pois se o novo relacionamento dos pais de novo se deteriorar e a criança ter de novamente adaptar-se as situações ocasionadas pelos “romances” de seus pais.

Isso compromete diretamente os laços afetivos, e as crianças tornam-se deprimidas e antissociais além de futuros problemas conjugais e de saúde.

Nesse contexto, o espiritismo nos mostra o quanto o autoconhecimento e o entendimento ao próximo é importante para  enfrentarmos as diversas situações dessa evolução cultural.

 “O divórcio é lei humana que tem por objeto separar legalmente o que já, está separado. Não é contrário à lei de Deus, pois que apenas reforma o que os homens hão feito e só é aplicável nos casos em que não levou em conta a lei divina.”[2]

Todo processo de desenlace matrimonial, gera muito sofrimento para todos os envolvidos na familiar: cônjuges e filhos, especialmente para as crianças, uma vez que não lhes é permitido interferir ou participar na decisão, mas são profundamente atingidos, especialmente porque no mais das vezes não conseguem entender os porquês de se virem assim separados da convivência diuturna de um dos seus pais.

Outro fator de extrema importância são as desordens sociais, a desestruturação financeira que podem gerar cargas emocionais tão fortes que os genitores se esquecem facilmente que as crianças são crianças e não devem entrar nos conflitos dos adultos. Nessas condições, essa criança, pode facilmente passar do status de sujeito ao de objeto.

“A natureza, quer que as crianças sejam crianças antes de serem homens. Se quisermos perturbar essa ordem, produziremos frutos prematuros que não terão nem madureza nem sabor, e não tardarão a se corromper; teremos doutores infantis e crianças velhas. A infância tem maneiras de ver, de pensar, de sentir que lhe são próprias.”[3]

Outro fator a se comentar e que hoje é inserido nas novas famílias é o da adoção, onde as famílias são compostas de filhos adotados, gerando muitas vezes preconceito e segregação seja da sociedade ou de alguns membros da família, e isso ocorre devido a uma série de complexos motivos, a começar pelo repudio á mãe biológica, pois essa é culturalmente denegrida.

A mãe que doava seu filho era vista, como aquela que por despreparo, ou gravidez indesejada, ou mesmo por situação financeira dava seu filho para o preservar de uma criação difícil e até perigosa.

Por outro lado àquela que o abandonava, era vista como desequilibradas, cruéis e desnaturadas.

Diversos são os fatores que incentivam a mãe á doar seu filho, entre eles podemos  citar alguns como:  Social e econômico, infância de violência, dificuldades de relacionamento, falta de apoio familiar, imaturidade.

“Há pessoas que têm apensas a possibilidade de gestar e dar à luz, mas não de criar; há pessoas que têm a possibilidade de acolher e acompanhar amorosamente o crescimento da criança, embora não tenham podido gera-la” (Autor desconhecido).

A realidade, é que a mãe quando entrega seu filho para doação, toma uma atitude de extrema coragem, e independente de seu amor ou desprezo pela criança, ela o faz com a intenção de a criança seguir por um caminho diferente do dela, e de preferência... Um caminho melhor.

Devemos levar em conta que ao adotarmos uma criança essa deve integrar nossa família de forma total, e lembrarmos que muitas vezes ao criticar aquele que adota não notamos o quanto desprezamos os nossos próprios filhos.

“Todo filho precisa ser necessariamente adotado, mesmo aqueles que geramos. Se não  vivermos a experiência nem instalarmos o processo de aceitação  daquele que gostamos,  estaremos apenas sendo genitores e não propriamente pais.”[4]

No espiritismo aprendemos a não julgar essas mães, em Evangelho segundo o Espiritismo, Allan Kardec nos mostra que: “O corpo procede do corpo, mas o Espírito não procede do Espírito”[5],  sobre esse prisma  a Doutora Marlene Nobre nos prestigia com a seguinte frase : “Nossos filhos não são nossos filhos, são antes, irmãos. Os corpos que têm são filhos dos nossos corpos, nada mais. Os chamados filhos adotivos são os filhos do coração, estão unidos a nos por indestrutíveis laços espirituais. Somos todos filhos uns dos outros.”[6]

Outro fator de extrema importância, são nossos  vínculos espirituais, onde em nossa ignorância muitas vezes não entendemos desentendimentos, raivas sem motivos, rancor por pequenos atos , entre irmãos, pais e filhos, tios e sobrinhos, avós e netos.

Onde além de toda pressão sociocultural das novas famílias, temos enraizado em nossos períspiritos rivalidades de outras encarnações.

Inimigos do passado que hoje nascem com a missão de aprender a conviver como irmãos, assim o  desamor entre familiares muitas vezes são causados  por  desiquilíbrios de outras vida.

“[...] a reencarnação no resgate é também recapitulação perfeita. Se não trabalhamos por nossa intensa e radical renovação para o bem, através do estudo edificante que nos educa o cérebro e do amor ao próximo que nos aperfeiçoa o sentimento, somos tentados hoje pelas nossas  fraquezas, como éramos tentados ainda ontem, porquanto nada fizemos pelas suprimir, passando habitualmente a reincidir nas mesmas faltas. [...]” [7]

Por esse prisma, o espiritismo fortifica os laços familiares, exatamente por nos demonstrar que as ligações afetivas são construídas passo a passo no pretérito.

Os Centros Espíritas possuem atividades que serão uma alavanca para os que compõem nossas famílias; onde através de palestras esclarecedoras em reuniões semanais, a evangelização da criança, a educação moral a luz da Doutrina, não esquecendo a importância da  assistência espiritual que é fornecida .

                                                                                                             

 

[1] Termo "nuclear" está definido no Webster's Dictionary (famoso dicionário de inglês) como "de ou formando um núcleo", e a definição de "núcleo" como "parte central em torno da qual outras partes se agrupam; centro".

[2] KARDEC, Allan. Evangelho Segundo o Espiritismo. Item 5, do Cap. XXII, FEB. Rio de Janeiro 2008

[3] ROUSSEAU, Jean Jacques. Ensaios Pedagógicos. P. 76. Bragança Paulista: Editora Comenius, 2004.

[4] FILHO, Luiz Schettini. Pedagogia da Adoção, Editora Vozes, Rio de Janeiro. 2009

[5] KARDEC, Allan. Evangelho Segundo o Espiritismo. Item 8, do Cap. XIV, A PARENTELA CORPORAL E A PARENTELAESPIRITUAL FEB. Rio de Janeiro 2008

[6] NOBRE, Marlene.R.S. Lições de Sabedoria.  Cap. 48. Uma Orientação sobre Filhos Adotivos. Ed. Folha Espírita. São Paulo.1997. (Chico Xavier nos 22 anos da Folha Espírita)

[7] XAVIER, Francisco Candido. Ação e Reação. pelo espírito de André Luiz Ed. FEB. Rio de Janeiro 2008. Cap.14,p.250)

 

[i] Dedico esse artigo a minha esposa Gil e meus amados filhos: Patrícia, Douglas, Caio e Felipe... Minha Família!

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